Independentemente de sua religião e de tudo aquilo em que você acredita, você possui um sistema de crenças externalizado ou internalizado, ou melhor, explícito ou implícito.
Seus costumes, seus gostos, seus valores, seus medos, a forma como você se relaciona com as pessoas, o fato de você ter receio ao cruzar com um gato preto. Tudo isso e muito mais fazem parte do SDC, ou melhor, o Sistema de Crenças.
No livro 1 intitulado de Jambo Vermelho, a mãe do protagonista tenta ensinar a ele algumas lições, em virtude dele ter sido expulso do catecismo.
A primeira lição que o protagonista teve foi a respeito do conceito de respiração. (Quer você queira, quer não, esse assunto está implicitamente relacionado a pandemia e o Covid-19)
Essa lição foi a seguinte:
“Em seguida, Lívia perguntou:
- O que é a respiração pra você filho?
- É um processo que me faz ter vida. Inspiro oxigênio e expiro gás carbônico.
- A princípio seria isso, mas você está esquecendo de muita coisa.
- Me explica então.
- A inspiração normalmente é ato involuntário.
- Ok.
- A inspiração é uma condição necessária para a vida e ao mesmo tempo uma condição suficiente para a morte. Respiração não é só vida. Respiração é ao mesmo tempo vida e morte.
- Como assim, mãe?
- Número 1 – Você inspira. Ocorre a troca gasosa e você recebe oxigênio.
Número 2 – O oxigênio vai para os tecidos. Para resumir e tentar falar de uma forma bem simples, durante esse processo o oxigênio atua como oxidante de algumas moléculas orgânicas. Isso causa o processo de envelhecimento celular.
Moral da história: Você acabou de conhecer o paradoxo da existência humana. Nesse paradoxo a respiração nos deixa vivos e ao mesmo tempo ela nos deixa mais próximos da morte.
Em seguida, Lívia olhou para ele e perguntou:
- Entendeu um pouco?
- Sim.
- Acontece que as pessoas se esquecem que a respiração também é morte e ao fazerem isso, elas acabam tornando um vírus mortal ainda mais perigoso.
- Entendi mais ou menos a ideia.
- Bem, agora eu vou pegar esse conceito simples de biologia e vou aplicar a minha fé em cima dele.
- Como assim, mãe?
- Filho, a gente pode pegar uma aula de biologia, uma aula de química ou qualquer outra e aplicar nossa convicção em cima desse conceito.
- Sério?
- Sim. Vamos lá. Segundo a minha fé, eu vou usar a força da minha mente na hora que eu respiro. Depois de uma longa inspiração, eu lembro para mim mesma:
- Eu vou viver!
Com isso em mente, eu estou fazendo uma opção.
- Entendi mãe.
- Você pode encarar de outra forma também.
- Como?
- Surgiu uma gripe aviária em algum lugar, o vírus é transmissível pelo ar. Em virtude disso, você pensa:
- A respiração em si já representa morte, então eu não vou ter tanto medo desse vírus!
Em seguida, Arthur perguntou:
- Pra que isso, mãe?
- Porque isso vai te garantir uma proteção a mais pra você. Nunca se esqueça, a força da mente é muito poderosa, filho.
- Entendi.
- Esse assunto que eu acabei de falar tem o nome de vantagem existencial. E ele é um assunto ligado intimamente ao conceito de fé.
No mesmo momento, Arthur falou:
- Fé é uma palavra meio antiga, né mãe?
Segundos depois ele tornou a falar:
- Vou fazer uma troca. Vou trocar fé por crença. Com isso, em função dessa aula, eu vou dar início a um sistema de crenças (SDC).
Em seguida, a mãe riu e disse:
- Esse é um ótimo nome.
E ele prosseguiu:
- Minha primeira crença é que a respiração é ao mesmo tempo vida e morte. E se eu usar minha força do pensamento, eu tenho o poder de influenciar positivamente a minha escolha entre a vida e a morte. Isso pode me conferir um aumento no que diz respeito a porcentagem de minha probabilidade de vida.
E Lívia respondeu:
- Sim. Filho. Você vai ter que desenvolver mais esse conceito, mas ele está ficando elegante.
- Entendi.
No mesmo momento, a mãe o avisou:
- Caso você queira conversar comigo sobre isso ou outra qualquer coisa, eu vou estar te esperando. Eu sei que não somos muito próximos, mas você é meu filho.
Segundos depois, meio sem jeito, ele respondeu:
- Entendi. Obrigado, mãe!”
Posteriormente, Lívia passou a comentar a respeito de outros pontos do Sistema de crenças. Podemos encontrar um novo diálogo em outro capítulo da obra:
“Dias depois, quando viu a mãe sentada na mesa da cozinha, ele fez um comentário:
- Bom dia mãe! Hoje tem aula né?
- Tem sim. Toma seu café da manhã e escuta.
- Tá.
- Vamos a sua segunda aula sobre o SDC.
- Hum. Se atualizou, hein mãe?
- Vou usar esse nome as vezes, mas nunca que vou deixar de lado minha boa e velha fé.
- Tá bom, mãe.
- Bem, meu objetivo aqui não é defender qualquer religião ou sequer falar a respeito delas. O que eu pretendo aqui é conversar sobre crenças e sobre fé. Entendeu?
- Entendi sim, mãe.
- Entretanto, antes de falar sobre fé, eu tenho que te dizer uma coisa.
- O que foi mãe?
- Cada coisa que eu disser será considerada um pequeno passo para sua caminhada.
- Ah tá...
- Além disso, eu decidi organizar o conteúdo da forma mais ordenada possível para facilitar o entendimento.
- Entendi.
- Vamos lá. Passo 1. A origem do universo e grande parte do conhecimento que permitem que nós vejamos é interpretativa.
- Como assim o que permitem que nós vejamos, mãe?
- Teve uma época filho que precisei obter um devido conhecimento para ajudar uma pessoa. A questão é que existem muitas teorias interessantes e que são escondidas de nós por mais que necessitemos delas para tentar salvar uma ou milhares de vidas.
- Sério?
- Sim. Sério, filho. Como eu ia dizendo existem várias teorias para a criação do universo e independente de qual teoria você acredita, você pode ganhar força.
- Força? Como assim, mãe?
- Passo 2. Essa força se chama FÉ.
- Fé?
- Sim. Fé. Eu vou usar a palavra fé e dizer alguns possíveis significados que eu uso para ela.
- Ok.
- Fé significa força escondida. Fé significa força espiritual. Fé significa força energética. Fé significa força existencial.
- Entendi mãe.
- Quantos passos você já deu?
- Dois passos mãe.
- Passo 3. Você está numa caminhada, mas lembre-se que que passos também podem ser associados a uma dança.
- Dança?
- Sim. Dança. A todo instante a vida vai te fazer dançar para testar a sua fé. Pode ser que daí que tenha surgido o ditado dançando conforme a música.
- Passo 4. Começar do início. Como já falei há alguns minutos a origem do universo é interpretativa. Dessa forma, existem centenas de interpretações para a origem do universo, mas eu vou usar duas interpretações. Em uma interpretação eu vou falar sobre Deus. Em outra interpretação, eu não falarei sobre Deus.
- E ai, mãe?
- E aí, que você pode aceitar qualquer uma das teorias ou nenhuma. Tudo depende de você. Entretanto, independente do que você for escolher, eu te mostrarei alguns desdobramentos.
- Ok, mãe.
- Vamos lá. Interpretação 1. Há bilhões de anos atrás Deus emitiu um sinal sonoro tão forte que o nada começou a se expandir, a se desdobrar e a ganhar forma. Dessa maneira se iniciou o processo de criação do universo.
Em seguida, ele percorreu cada canto de sua obra e pretendeu arrumar melhor a sua morada.
Sendo assim, ele mesmo mexeu nas terras, plantou árvores, adequou o curso os rios e escolheu a dedo os componentes do ar em que vivemos.
Apesar do Criador ter poderes, dizem que seu suor e suas lágrimas estão impregnados em todos os cantos do mundo!
E com isso, todos fomos beneficiados com a teoria da reminiscência energética!
Entendeu, mais ou menos, filho?
- Entendi sim, mãe.
- Interpretação 2. Segundo a teoria da Grande Explosão ou Big Bang, o universo teria surgido a partir de uma explosão cósmica. Com isso, eu posso dizer que teve um tempo em que tudo se resumia a nada. Até que em certo momento “BUM”, uma explosão foi dando origem ao universo, sendo que os fragmentos daquela potente bomba formaram as galáxias, os planetas e as estrelas. Sendo assim, todos os fragmentos da Grande Explosão guardam a energia da criação, ou seja, eles também são beneficiados pela teoria da reminiscência energética.
- Reminiscência energética, mãe?
- Sim. Isso mesmo. Esse assunto fica para outra hora.
- Entendi.
- Agora você deve refletir sobre tudo o que eu disse, fazer uma pesquisa e tentar ver se você acredita em uma ou outra interpretação. Depois disso, eu continuo com a nossa explicação. OK?
- Ok mãe. Eu vou tentar estudar um pouco sobre a criação do universo.
- Que bom. Estudar nunca é demais!
Logo em seguida, Arthur disse:
- Obrigado. Achei interessante essa história da senhora me dar aulas. Antes era meu pai e minha vó que davam as aulas.
No mesmo instante, ela o olhou com amargura e apenas falou:
- Eu sei filho. Eu sei...”
